domingo, 28 de janeiro de 2018

Até quando?


Eu mando a criança tomar banho e ela pergunta se pode ir depois de terminar o episódio de Dragon Ball que tá passando na TV.
Eu penso "claro, orgulho da mamãe. Assiste bastante anime." Mas não digo, pra ela não perceber meu ponto fraco.
Só digo "ok".
Um tempo depois o episódio acaba e ela não vai pro banho. Eu espero pra ver até onde ela vai, canso de esperar e entro na sala.
"Acabou o Dragon Ball?"
"Acabou"
"E por que você não foi tomar banho?" - pergunto séria, falando baixo, um tom mais grave, o que, acreditem, é mais eficaz do que qualquer grito.
Então ela começa a argumentar, dar desculpa. E eu me encho de orgulho de novo por ela estar tentando me enrolar. Mas não digo, não sorrio como tenho vontade, porque ela vai perceber esse outro ponto fraco. Está cada vez mais esperta, tenho que vigiar até a expressão dos meus olhos.
Digo apenas que ela ainda não tem cacife pra me enrolar com horários ou quaisquer outros tipos de números. "E vai pro banho."
Vinte minutos depois eu coloco meu bebê na cama, cubro, beijo, boa noite, bons sonhos.
E vou deitar também, pensando até quando esse serzinho em desenvolvimento tão rápido vai continuar sendo o meu bebê.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

R.I.P Plínio


Plínio viveu conosco por um mês e dois dias, até perto do Natal.
Não sabíamos o que fazer com nosso primeiro passarinho.
Encontramos o bebê perdido da família no quintal,
Demos abrigo, papinha, ração, insetos, minhocas e carinho.

Plínio teve algum sucesso passeando pelo local,
Aprendeu a comer frutinhas , o que era fundamental.
Quando nos via, vinha logo pra perto
E já respondia pelo nome com seu assovio esperto.

Mas não subestimem a importância da mamãe de um passarinho!
Ela ensina os filhotes depois que saem do ninho.
Como não aprendeu a se defender ou a comer sozinho,
Plínio não tinha medo de nada porque era muito mansinho.

Mas o medo é importante para nos proteger,
Faz a gente ter algum juízo, como deve ser.
E se tem uma coisa forte nessa vida, é a lei da natureza:
Um bicho maior, seguindo seus instintos, pegou Plínio com destreza.

Dorme em paz, Plínio, no sossego no nosso jardim,
Amanhã vamos comprar uma linda mudinha,
Na natureza tudo se transforma, é assim.
E onde foi Plínio, será uma amada florzinha.

Vamos manter a lembrança divertida de como um dia
Foi tão legal cuidar e conviver com esse bichinho.
Ficamos tristes agora, mas em breve vamos lembrar dele com alegria.
E pelo tempo que escolheu nossa família, obrigada, passarinho!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Correios


Pó de carta vicia. Foi isso que ouvi o diretor regional da ECT dizer na palestra de apresentação quando entrei na empresa, há 4 anos e meio.
Deve ser por isso que é difícil sair, mesmo tendo pensado e repensado essa decisão em casa com minha família durante meses e concluindo que seria o melhor pra todos nós no momento atual.
Aí hoje eu fui lá, segura e confiante, e trabalhei meu último dia. Abri e fechei o sistema com a minha matrícula e senha pela última vez, fiz cadastros e entregas e triagens pela última vez, abri e tranquei meu armário e meu cofre, reclamei da iluminação fraca do banheiro, vesti e tirei meu crachá... Tudo o que eu faço todos os dias, só que dessa vez foi pela última vez. E sabe qual a sensação ao chegar em casa? De que larguei um pedacinho meu pra trás.
Normal, né? Eu passava mais tempo no trabalho do que em casa com a família. Trabalhava, comia, escovava os dentes, andava, olhava, conversava, ria, passava raiva, tudo lá. De repente, beijinho, tchau. Estranho, né? Mas ficou um buraquinho vazio aqui.
Esse último mês foi peculiar. Enquanto cumpri 30 dias de aviso prévio trabalhando, saboreei cada serviço que eu adorava fazer e, pasmem, os que eu não gostava também. É a magia da última vez. Dizem que a gente se acostuma até com o que não gosta, e tenho que concordar. Lembrei do perrengue que passei quando entrei na empresa e fui com mais 3 colegas morar um mês em Belo Horizonte, sendo que nos avisaram na véspera, lembrei com saudade da turma ótima que conhecemos lá, dos passeios que fizemos, dos professores. Eles falavam da empresa de um jeito que me fez chegar apaixonada no primeiro dia de trabalho. Depois o encantamento passou, mas ficou carinho, sabe? É como se a empresa fosse alguém da família, no sentido bom e no ruim. Mas que passa a fazer parte da gente, passa.
Aí fui lembrando das partes do caminho que me fizeram chegar até aqui, dos meus erros e acertos, até que aprendi tanta coisa, nossa, gente, muita coisa mesmo. Foi uma escola. Gratidão.
E aproveitei também pra fazer uma lista de coisas das quais vou sentir falta e das quais não vou. Não falei dos meus problemas pessoais porque gente venenosa e problema de relacionamento tem em qualquer lugar, né? Procurei focar nas coisas específicas desse meu emprego, e me rendeu umas risadas no final.
A lista do não ficou grande, hahaha!
Mas a lista do sim vai fazer falta todos os dias :(
Lá vai:

NÃO, eu não vou sentir falta de:

- Achar CEP de endereço em Brasília
- Logística reversa com preenchimento de check list
- Captar telegrama de mais de uma página às 16h59
- Guichê sem vidro
- Ouvir problemas pessoais de pessoas desconhecidas, continuamente
- Trabalhar com papéis AND ventilador
- Não tem selo de 50 centavos
- Lote de formulários de AR sem cola
- Cliente que não deixa de falar ao celular quando é chamado/atendido, apenas pára na sua frente e continua conversando ao telefone como se você não estivesse ali (enquanto há outras pessoas esperando na fila, muito provavelmente)
- Cliente que atende chamada no celular durante a vez dele, faz sinal pra esperar se tentarmos falar com ele e termina sua conversa sem pressa para só depois voltar aonde estávamos
- Pernilongos furtivos debaixo da mesa de trabalho, atacando minha perna por cima da calça
- Quando o cliente pede a fita adesiva emprestada e, quando devolve, perdeu a ponta
- Quando o cliente pede a fita adesiva empresada e não devolve (e caneta, tesoura, extrator de grampo, cola, trena, grampeador...)

SIM, eu vou sentir muita falta de:

- Selos
- Preencher formulários de AR
- Embrulhar caixas
- Crianças boquiabertas, impressionadas com como eu digito letras e números sem olhar o teclado do computador, perguntando "tia, como você consegue fazer isso?"
- Conviver com os amigos que fiz

Hoje, na minha festinha de despedida, sentei e fiquei olhando pra cada um dos colegas e amigos enquanto conversavam distraídos. Senti gratidão pela presença de cada um na minha vida durante o tempo em que trabalhamos juntos e guardei a imagem de cada um deles sorrindo. Vou levar comigo.
Gente, bom, é isso. Não sei terminar esse texto. Estou com sensação de reticências ao invés de ponto final.
Me resta agradecer a todos que passaram por mim, me ajudaram, me ensinaram, me fizeram companhia nessa jornada.
Bora começar uma nova etapa, que a vida é curta e o tempo não pára.
Beijo grande.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um desabafo, um convite e um conselho


Aconteceu uma coisa que não acontecia há algum tempo e não sei quanto vai demorar pra acontecer de novo: todo mundo aqui em casa está em férias. Eu, marido e filha. Todo mundo descansando, sem horário, comendo pizza na terça-feira como se não houvesse amanhã. Bagunça na cama, séries, jogos, música. Montamos a árvore de Natal.

Hoje o marido tinha um compromisso e, após o deixarmos no local, fomos passear – eu e a criança. Fomos ao centro da cidade, passeamos, fizemos compras, lanchamos, rimos das coisas, discutimos sobre como atrapalha não poder falar ao telefone dentro do banco enquanto esperávamos na fila, conversamos. Só eu e a minha filha.

Fomos a algumas lojinhas de bijuterias e escolhemos enfeites para os lindos cachinhos dela. Escolhemos JUNTAS. Normalmente eu faço isso correndo depois de engolir a comida no meu horário de almoço, escolho algo de que ela precisa ou acho que ela vai gostar e levo pra casa à noite.

Fomos a uma loja de calçados sem pressa, e ela pode escolher a sandalinha rosa que gostou depois de olhar todas, experimentar duas, três vezes, sem a gente ter que se apressar porque a loja já ia fechar, ou porque precisaríamos passar em outros tantos lugares no pouco tempo que havia disponível.

Sentamos pra comer e ninguém teve que sair andando com um salgadinho em uma mão e uma latinha de bebida em outra, comendo e andando ao mesmo tempo pra poder ser mais rápido.

Coisa boba, gente. E eu não me sentia tão feliz há muito tempo.

Eu quero convidar você, que está lendo esse texto, que ainda é jovem (mas nem tanto que tenha a vida toda pela frente e possa fazer o que bem entender da vida), a parar só um pouquinho e refletir.

Vale a pena?

Eu fico em função do trabalho das 7h às 19h. No fim de semana não sou ninguém. Perco a maioria das reuniões de pais, das apresentações da escola, das idas ao médico. Quando ela fica doente e precisa ficar em casa, meu marido cuida enquanto eu trabalho.
É claro que não dá pra escolher tudo nessa vida, se os filhos precisam ser alimentados e vestidos e entretidos e receber educação, alguém precisa trabalhar. Mas a parte que dá pra escolher, escolha com cuidado.

Há pouco tempo fui presenteada ao passar por um texto que falava sobre a rotina de uma antiga colega de faculdade que tem quatro lindos filhos e quase sufocou. Ela escolheu frear e ganhou tempo. Ganhou qualidade de vida.

Só parem e reflitam sobre isso. Não demorem demais, porque os filhos crescem muito rápido. Eles nunca vão ser crianças de novo. Você vai piscar e sua vida vai ter passado. Quando eu piscar,  não quero ter passado toda a minha vida trancada entre quatro paredes, sem ver o sol, sem sair com a minha filha pra fazer qualquer coisa que seja.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

R.I.P. Dona Maria



Dona Maria foi minha máquina de lavar roupas por 25 anos. Eu tinha apenas 4 aninhos, quase metade do que minha filha tem hoje, quando ela entrou para a família e começou a facilitar a vida da minha mãe. Depois eu herdei a Dona Maria e passei a ser a beneficiada: ganhei horas e mais horas com a ajuda dela, nessa vida louca de mãe/esposa/dona-de-casa/trabalho/faculdade que as mulheres tem hoje em dia.

Dona Maria foi envelhecendo e, assim como muitos idosos nas famílias de qualquer mortal, começou a "dar trabalho". Mas quem rejeita um familiar que dedicou a vida à nossa família? Ela passou por alguns reparos, mas a maioria dos idosos que conheço também fez uma cirurgia ou outra para garantir uma sobrevida melhor.

Nos últimos tempos, a visita do "médico" foi ficando mais frequente, e ultimamente eu já tinha que vigiá-la durante parte do processo. A gente sabe que a hora vai chegar, mas a gente adia... não pensa nisso... Como planejamos mais crianças, sabíamos que a capacidade modesta de 4kg acabaria sendo insuficiente qualquer hora dessas, mas deixa isso pra depois...

Dona Maria era de ferro! Ninguém conseguia carregá-la sozinho. Sempre que alguém me contava que estava decepcionado com a nova máquina, que era de plástico e em 3 ou 4 anos já era, eu comentava orgulhosa sobre a minha ajudante de mais de duas décadas: "bate tão bem que a roupa sai virada do avesso!"

Eis que na última sexta-feira, 10 de Julho, o marido me contou que era dia da pizza! Fiquei animada para comemorar o dia de um dos meus pratos favoritos e sugeri que fôssemos a um ótimo restaurante que um amigo está dirigindo numa cidade próxima, mesmo após uma semana extremamente cansativa e tendo que trabalhar no outro dia de manhã.

Acontece que a criança, também cansada, com a barriguinha já cheia de pizza e refrigerante, dormiu no caminho de volta. Eu sempre falo pra ela fazer xixi antes de dormir, mas quando chega dormindo, coloco direto na cama. Resultado: uma rodinha molhadinha e fedorentinha no lençol+colcha+edredom+colchão, que eu só vi ontem, domingo de manhã, porque passamos o sábado fora.

Antes de colocar isso tudo pra lavar, eu já tinha colocado as roupinhas dela da semana de molho, então prossegui. Foi quando notei um clic-clec diferente vindo da Dona Maria... ela não estava batendo bem. Mexi, voltei, adiantei, conversei... e ela voltou, claro! Dona Maria era supimpa mesmo! Mas depois da lavagem das roupinhas, coloquei o edredom e o clic-clec voltou... Não estava batendo e estava jogando a água fora durante o molho. Fiquei preocupada! Combinamos de chamar o "médico" hoje de manhã para dar uma olhada.

Enquanto eu trabalhava hoje cedo, recebi a fatídica mensagem do marido: a hora inevitável havia chegado para a Dona Maria. Mandei uma mensagem avisando minha mãe, que também havia sido íntima dela, e saí com o marido na hora do almoço para comprar uma ajudante nova. Escolhi uma maior, mais moderna, mas fiz questão de que fosse uma descendente da Dona Maria! Afinal, a família de alguém que trabalhou tão bem por tantos anos merece algum crédito.

Quando voltei pra casa à noite, ainda tinha uma coisa para resolver: o lençol e a colcha ainda estavam com xixi, porque Dona Maria era muito pequenina pra lavar tudo ao mesmo tempo. Resolvi levá-la à sua última jornada, respirei fundo, tomei um café e coloquei a roupa pra lavar.

O processo foi conjunto, metade automático dela e metade manual meu. Enxerguei todo o cansaço de vinte e cinco anos de trabalho sem férias. No finalzinho, após um demorado enxágue com ajuda até da mangueira do quintal, ela já não queria centrifugar. Já melancólica por me despedir da minha ajudante fiel e desanimada pensando em estender aquela roupa de cama à mão, sussurrei: "vamos lá, Dona Maria! Dá só mais um último gás!"

E como se me ouvisse, num último suspiro de dignidade e coragem, Dona Maria deixou bravamente o clic-clec pra trás, começou a centrifugar quase tão perfeitamente como sempre, rodou e rodou e deixou a roupa de cama da criança apenas úmida, pronta pra ir pro varal. Depois fez um clic-clec final, ficou em silêncio e foi para o seu merecido sono profundo, dessa vez sem ter mais que acordar. E como quem fecha carinhosamente os olhos de um ente querido quando chega a hora, fechei a tampa dela para sempre.

Descanse em paz, Dona Maria. Você foi a melhor lavadora!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dahra e a mangueira


Às vezes eu me pego sentindo saudade de alguma coisa lá atrás.
Hoje lembrei da Dahra, uma linda cadela que tive, e senti saudade dela.
Eu não parava de encher o saco, meus pais concordaram que seria bom ter um cão de guarda no bairro residencial onde morávamos e foram a outra cidade comprar um filhote de pastor alemão. Mãe mansa, pai bravo. Eu tinha 10 anos e estava dormindo quando minha mãe chegou com aquele filhotinho fofíssimo e colocou na cama comigo.
Ela teve que ir pra outro lugar 6 anos depois, quando mudamos para um apartamento. Nunca mais vi, sei que foi muito bem cuidada e, em 2004, soube que ela morreu.

Dahra morria de medo de água. Mais que qualquer gato, mais que o Cascão.
Os cães dessa raça trocam o pêlo a cada seis meses, e é preciso escovar pelo menos uma vez ao dia. Tarefa impossível, já que ela gostava de ser escovada tanto quanto gostava de água. Mas não tinha medo da escova: ela mordia ou corria e impedia o meu trabalho.
Certa vez, resolvi ameaçá-la com a mangueira. Deixei Dahra sentada com a mangueira apontando pra ela, e ela sabia que sairia água de lá se eu usasse apenas uma mão e apertasse o gatilho.
Ela ficou imóvel, com os olhos arregalados na direção da mangueira, enquanto eu escovava todo o seu corpo.

Consequentemente, deixando que eu a escovasse pela primeira vez, ela descobriu que aquilo era gostoso. A raspadeira coçava e massageava as costas dela.
Depois desse dia, nunca mais precisei da mangueira. Assim que ela me via pegando a escova, sentava quietinha com as orelhinhas baixas e deixava, contente, que eu escovasse todo o seu pêlo.
Acho que esses cachorros nascem safados. E a safadeza deles deixa muita história pra gente lembrar.
Saudade dela...

domingo, 15 de maio de 2011

Mãe


Uma semana atrasado esse post sobre o dia das mães.
A semana foi corrida, o fim de semana foi dos piores, então vou escrever alguma coisa legal aqui e fingir que tá tudo bem.

Esses dias me perguntaram quando é o dia da filha, porque só a mãe que tem dia de ganhar presente anualmente, só por ser mãe.
Eu respondi que o dia da filha é quando ela vira mãe.
É o meu caso.

Sobre a minha mãe... a minha mãe é Mãe. Ela sabe que é minha Mãe. Tenho um anjo de sogra, que é uma segunda mãe, sempre preocupada e atenciosa, um amor. Tenho uma ex-vizinha, amiga da minha mãe, que é outra segunda mãe, sempre com palavras sábias e de incentivo. Mas minha mãe e eu moramos longe e podemos ficar o tempo que for sem nos falarmos, e ela sabe que ninguém vai tomar o lugar dela. E sabe que vai chegar aqui e ainda vamos ter a mesma conexão mãe-filha de antes.
Isso é incrível. Nós brigávamos tanto até eu ter uns 19 anos e, um dia, quando dei por mim, ela era a pessoa que eu mais admirava e defendia no mundo. Ninguém me aceita tanto quanto ela. Ninguém me conhece tão bem. Talvez nem eu.

Sobre a minha filha... de vez em quando me pego parada olhando ela brincar, ou dormir. Me pergunto como pode ser tão linda, tão inocente, tão minha e tão não-minha.
Ela é o melhor presente que eu poderia ganhar de dia das mães, todos os dias.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Criança simplista II


Minha sogra e minha criança conversavam animadamente na cozinha dela ontem à noite.
Havia uma cesta com laranjas sobre a mesa. Minha sogra pegou uma pra mostrar.


Sogra: "Olha aqui a laranja!"

Criança: "Não."

Sogra: "É laranja!"

Criança: "É verde."

segunda-feira, 21 de março de 2011

Criança simplista


Minha criança e eu fomos a um almoço de aniversário ontem.
Ela foi distraída com um cachorro, um mini camundongo e um pássaro.
A tia do meu namorado, tirando sarro com a cara dela, começou a conversar sobre os bichinhos.

Criança: "Olha! Um ratinho! Ratinhooo!!!"
Tia: "O nome do ratinho é Nina"
Criança: "Nina! Oi, Nina! Vem cá!"
Tia: "E olha ali o passarinho, que lindo!"
Criança: "Passalinho!"
Tia: "O nome do passarinho é calopsita"
Criança: "Passalinho"
Tia: "Calopsita"
Criança: "Passalinho"

terça-feira, 15 de março de 2011

Tô mal na fita



Conversa com a amiga Diva essa manhã:

ela: "E aí, como tá a criança?"

eu: "Tá bem. E terrível."

ela: "Ah, é?"

eu: "Cara... Ela tem um gênio terrível!"

ela: "Mesmo? Não imagino de quem ela tenha puxado isso" [/ironia]

eu: "É sério! Ela é muito pior do que eu."

ela: "Só se ela for o Hitler em miniatura pra ser pior que você. Cuidado com as coisas que você ensina pra sua filha, hein? Vai que ela vira uma líder mundial? Não queremos ver aquilo tudo de novo..."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Crescendo e não aprendendo


Quando completei 11 anos, um tio me deu R$ 50,00 de presente de aniversário. Aquilo era muito dinheiro pra mim, não sabia o que fazer com ele. Naquela época eu pedia um real pro meu pai às vezes e conseguia comprar várias balas, chicletes ou pirulitos com esse dinheiro.

Não lembro o que fiz com toda a quantia, mas gastei dez reais em bolinhas de gude e dez reais em balas.

Quando cheguei em casa com aquele saco enorme de balas de tudo quanto era tipo, minha mãe enlouqueceu. Escondeu as balas e disse que me daria uma ou outra de vez em quando, pra eu não passar mal e não estragar os dentes.

É claro que encontrei, horas depois, o saco de balas escondido dentro da máquina de costura dela. Eu ia lá quando queria e comia escondida. Era tanta bala que ela não ia dar falta. Foi muito bom!

E tem gente que ainda diz que sente saudade da infância... eu não!
Agora eu posso comprar quantas balas eu quiser. Eu posso almoçar e jantar balas se eu quiser, por quantos dias eu quiser. E ainda gosto tanto dessas guloseimas quanto gostava quando era menor.

Tenho mantido um potinho de balas sortidas em casa. Quando dá aquela vontade de beliscar um docinho, vou no pote. Várias vezes ao dia, eu confesso. Principalmente no meio de conversas, ou provas da faculdade, ou quando estou nervosa, ou quando estou feliz... talvez sempre.

Minha mãe veio me visitar e ofereci as balas de bananada, café e paçoca, que achei que ela gostaria. "Ah, filha, você sabe que eu não ligo pra essas coisas... quero não" - ela respondeu.
No dia seguinte meu pote já estava pelo final, não por minha culpa, e senti um gostinho de criança vingada ao escutar minha mãe dizer "Lu, tá na hora de comprar mais, né?"

Hoje ela foi comigo à loja de doces e até adicionou novos sabores na minha cestinha.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Macarrão na panela de pressão



Quando eu morava em Juiz de Fora com uma prima distante, aprendi a fazer esse macarrão. Onde quer que eu faça, todo mundo adora!

Ingredientes:

- 500g de macarrão parafuso
- 3 tabletes de caldo de carne
- 1 lata de molho de tomate
- 1 lata de creme de leite
- 300g de presunto cortado em cubinhos
- 300g de muçarela cortada em cubinhos

Modo de preparo:

- Colocar numa panela de pressão o macarrão, os tabletes de tempero e o molho de tomate.
- Colocar água até que esteja dois dedos acima da altura do macarrão e mexer.
- Colocar no fogo e deixar por 10 minutos depois que pegar pressão.
- Desligar a panela, soltar a pressão e misturar o creme de leite, o presunto e o queijo.

Eu gosto de colocar batata palha por cima.
A pedido da Mary (faz pra Juju!), mas serve pra todo mundo.
Deliciem-se!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valentine's day


Eu gosto muito mais do dia dos namorados comemorado em 14 de Fevereiro.
Vamos esquecer as mulheres apanhando com couro de cabra para serem férteis e lembrar só do São Valentim, que foi um cara bacana.
O dia 12 de Junho foi escolhido como dia dos namorados pelos comerciantes.
Whatever.

O legal do meu namoro é que nada foi mágico. Nenhum pressentimento. Nada de intuição. Nada de paixão à primeira vista. Nem à segunda. Foi tudo meio sem querer e, quando eu vi, ele estava me contando que a gente namorava há algum tempo.
Ele vive entendendo errado o que eu falo, mas me conhece pelo tom de voz.
Ele dorme e me deixa falando sozinha, mas me abraça dormindo.
Ele puxa a minha orelha às vezes, mas é meu melhor amigo.
Eu não troco meu namorado por nada nesse mundo.

[it's just me missing you]


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bagunça


Minha cozinha parece uma cozinha.
O quarto da minha criança tem prateleiras na parede.
Ainda falta tanta coisa pra colocar no lugar!
Estreiei a máquina de lavar roupa. /loveit
Tô sem tv.
Tô estudando economia e direito pras provas de domingo.
Minha criança tá com virose.
Suco de uva misturado com suco de guaraná fica com gosto de suco de groselha.
Não páro de comer e tô com fome.
Não páro de dormir e tô com sono.
Tô nessa fase insaciável. Não tenho o bastante das coisas que eu quero. Nem das que eu preciso. Não tenho tempo o bastante.
O Al, que trabalha comigo, acabou de me mandar SMS:
"Feche os olhos... E reflita... E irá sentir que por mais que tudo dê errado e sua vida esteja de cabeça pra baixo, você ainda está viva! Viva para chorar, viva para sorrir, para encarar os problemas de frente, para sentir que vai se apaixonar novamente, para conhecer pessoas - tanto más quanto boas - e levantar a cabeça a cada batalha perdida, pois são delas que se tira as verdadeiras lições de vida. Boa noite, moça!"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sacarose


A Fatinha é a dona do quiosque onde eu tomo café aqui na rua. Tem quase um ano que vou lá várias vezes por semana, acabei virando amiga dela.

O André é o zelador da galeria onde fica o quiosque. Hoje ele estava arrumando os enfeites de Natal. Nossa, olha o Natal aí!

Eu, enquanto observava e dava uma mãozinha aos dois, sentei e tomei um porre. Uma latinha inteira de coca-cola.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Gordurinhas


"Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.

Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.

E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não
matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental:

Homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.

Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz."

(Desconheço o autor)