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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Um desabafo, um convite e um conselho


Aconteceu uma coisa que não acontecia há algum tempo e não sei quanto vai demorar pra acontecer de novo: todo mundo aqui em casa está em férias. Eu, marido e filha. Todo mundo descansando, sem horário, comendo pizza na terça-feira como se não houvesse amanhã. Bagunça na cama, séries, jogos, música. Montamos a árvore de Natal.

Hoje o marido tinha um compromisso e, após o deixarmos no local, fomos passear – eu e a criança. Fomos ao centro da cidade, passeamos, fizemos compras, lanchamos, rimos das coisas, discutimos sobre como atrapalha não poder falar ao telefone dentro do banco enquanto esperávamos na fila, conversamos. Só eu e a minha filha.

Fomos a algumas lojinhas de bijuterias e escolhemos enfeites para os lindos cachinhos dela. Escolhemos JUNTAS. Normalmente eu faço isso correndo depois de engolir a comida no meu horário de almoço, escolho algo de que ela precisa ou acho que ela vai gostar e levo pra casa à noite.

Fomos a uma loja de calçados sem pressa, e ela pode escolher a sandalinha rosa que gostou depois de olhar todas, experimentar duas, três vezes, sem a gente ter que se apressar porque a loja já ia fechar, ou porque precisaríamos passar em outros tantos lugares no pouco tempo que havia disponível.

Sentamos pra comer e ninguém teve que sair andando com um salgadinho em uma mão e uma latinha de bebida em outra, comendo e andando ao mesmo tempo pra poder ser mais rápido.

Coisa boba, gente. E eu não me sentia tão feliz há muito tempo.

Eu quero convidar você, que está lendo esse texto, que ainda é jovem (mas nem tanto que tenha a vida toda pela frente e possa fazer o que bem entender da vida), a parar só um pouquinho e refletir.

Vale a pena?

Eu fico em função do trabalho das 7h às 19h. No fim de semana não sou ninguém. Perco a maioria das reuniões de pais, das apresentações da escola, das idas ao médico. Quando ela fica doente e precisa ficar em casa, meu marido cuida enquanto eu trabalho.
É claro que não dá pra escolher tudo nessa vida, se os filhos precisam ser alimentados e vestidos e entretidos e receber educação, alguém precisa trabalhar. Mas a parte que dá pra escolher, escolha com cuidado.

Há pouco tempo fui presenteada ao passar por um texto que falava sobre a rotina de uma antiga colega de faculdade que tem quatro lindos filhos e quase sufocou. Ela escolheu frear e ganhou tempo. Ganhou qualidade de vida.

Só parem e reflitam sobre isso. Não demorem demais, porque os filhos crescem muito rápido. Eles nunca vão ser crianças de novo. Você vai piscar e sua vida vai ter passado. Quando eu piscar,  não quero ter passado toda a minha vida trancada entre quatro paredes, sem ver o sol, sem sair com a minha filha pra fazer qualquer coisa que seja.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O que fazer?


É... Parece que o negócio é fazer o que quiser mesmo...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Gordurinhas


"Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.

Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.

E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não
matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental:

Homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.

Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz."

(Desconheço o autor)

domingo, 4 de julho de 2010

Cigarro


Sei que não é fácil entender o fumante. Mas vamos por partes. Em primeiro lugar, parece-me desnecessário e até opressivo tratar do fumante de forma tão ingênua. É claro que sabemos que fumar faz mal, é óbvio que tememos ter câncer, é nítido que nos sensibilizamos com as figuras dramáticas de verso de maço, os dentes feiosos, a perna gangrenada, a criancinha (não parece que ela está cheirando cola?), e o pulmão que, honestamente, a mim me lembra uma bela maquete de feira de ciências. Não se trata, no entanto, de nada disso.

O fumante, é preciso entender, tem seu jeito próprio. Ele nunca está sozinho. E nunca não está fazendo nada. Pode não estar trabalhando, não estar estudando ou tendo uma longa conversa. Está, entretanto, e muitas vezes, simplesmente fumando. O fumante é mais feliz na espera por alguém; o fumante que espera alguém espera menos. O fumante que espera o ônibus então, tem em seu repertório um poder só dele. O de decidir, finalmente, acender um cigarro, e ver, mais finalmente ainda, o ônibus chegar naquele exato momento. E esta incrível relação, de uma disputa muda e singela, entre o fumante e o ônibus, vai além. Não pode ser mera coincidência que o preço do cigarro e o do ônibus sejam assim tão parecidos. Quem nunca juntou moedas, somou dois reais e pouco e teve de então decidir: pego um ônibus ou compro cigarro? O verdadeiro fumante vai a pé. Ofegante, é provável, mas nunca sozinho.

Ah…ser fumante. Só o fumante conhece o tempo de um cigarro. E não seria útil agora falar da infinitude e relatividade do tempo, porque se cairia inevitavelmente numa filosofia sem término. Desde sempre o homem tenta marcar o tempo. E nenhum cronômetro, porém, nenhum relógio ou ampulheta, é tão preciso quanto o tempo de um cigarro. Só o fumante sabe, numa cumplicidade excitante, o que o outro fumante quer dizer quando decreta: “Já vou, vou só fumar um cigarro”, ou “Vou fumar um cigarro e já volto”. O tempo de um cigarro é preciso e exato como poucas coisas são. Eu, particularmente, quando apago um cigarro na metade, quase lhe peço desculpas. Dobro-o no cinzeiro, todo desengonçado, e o observo em sua situação constrangedora e diminuta_ trata-se de um cigarro-borboleta, de vida efêmera_ e sinto. Só o faço quando alguém que esperava me buscar na porta do prédio chega, quando aparece enfim a comida no restaurante, ou quando um não-fumante (Sim, às vezes falamos com eles), quer nos dar um beijo na boca. Fora isso, nada justifica assassinar precocemente um cigarro.

Da mesma forma, penso que nenhum verdadeiro fumante pede trago. O verdadeiro fumante sabe que se trata, o cigarro, de uma porção única. Solicitar um trago, ou, o que é ainda pior, dar-se ao direito de pegar um trago de um cigarro aparentemente esquecido em um cinzeiro, é coisa de amador. Para mim não pode haver algo mais invasivo. Pegue um cigarro inteiro, pegue meu dinheiro, leve embora minha bolsa, mas, por favor, não mexa com o meu cigarro! É tão desconfortante e inadequado quanto pedir mordida de sonho de valsa ou gole de Yakult. Simplesmente coisa que não se faz. É comum, no entanto, que se surpreendam pretendentes a ex-fumantes fazendo isso. Nada mais patético do que aquele que acha que parou de fumar. Quando me pede o primeiro cigarro, semisorrio com ar condescendente, até empresto o isqueiro. O segundo ainda não nego. No terceiro, insinuo sem compaixão: Sabia que aqui eles vendem cigarro?

O não-fumante, por outro lado, pode não ser má pessoa e eu confesso, admiro-o. Num mundo ideal, em que eu pudesse fazer racionalmente todas as mais mirabolantes escolhas, além de rica e mais magra, seria não-fumante. No rodízio de churrascaria, faria um belo prato de folhas verdes, tomaria suco de abacaxi, e ao final da refeição, pagaria a conta sorrindo e me levantaria sem pressa, sem procurar ansiosa na bolsa, ao mesmo tempo em que levanto, o maço amassadinho que esperou pacientemente eu comer_ este outro hábito ao qual, com cortesia, o cigarro cede espaço. Não haveria cafezinho. Depois, feita a digestão, iria correr no parque, nadar umas cem chegadas, e à noite, provavelmente, dormiria cedo e sem tossir.

Infelizmente a rotina do fumante é quase obrigatoriamente uma outra coisa. O não-fumante, este ser esquisitinho que não acende um cigarro na final da Copa e que faz suas digestões autônoma e tranquilamente, é mesmo um vitorioso. Ele não chega na padaria e o homem do caixa já não pega um maço do seu cigarro preferido e não o põe em cima do balcão. É possível, aliás, que passe despercebido pelos funcionários da padaria. Ninguém registra quem compra pão. Ele, então, não desenrola com a pontinha dos dedos a fitinha que envolve seu maço, não puxa o aluminiozinho, não saca um cigarro, não o põe na boca, e não dá aquele primeiro trago. Também não deve dar um mergulho na piscina quando está calor, nem fazer xixi quando está apertado. O não-fumante não vive de alívios. Vive de constância. Terminada uma fogosa noite de amor, ele simplesmente vira pro lado e dorme. Talvez tome um copo d´água. Ele não alcança a cabeceira, não acende um cigarro, e não conversa amenidades com seu parceiro, os braços atrás da cabeça, a fumaça se espalhando lentamente pelo quarto. O fumante que tem noites de amor com não-fumantes pode passar por alguém pouco sensível. Ele deve, se for assim o combinado, levantar-se pra fumar lá fora. É uma pena. É um momento hostil pra se fumar um cigarro, como fumar na estrada com o carro a mais de cem por hora, e o vento fazendo as cinzas se voltarem contra você e fumando junto. Como fumar na praia, com toda aquela gente olhando se você vai mesmo recolher as bitucas e jogar no lixo no final da tarde. É hostil, mas inevitável.

Por fim, temos o ex-fumante, aquele ser superior que esteve entre nós e do qual nos despedimos com muita dor. É necessário ressaltar que não considero ex-fumante quem fumava menos de dez cigarros por dia, sobretudo se for de filtro branco. Essa gente atrapalha as estatísticas que calculam quem conseguiu parar de fumar. Essa gente nem fumava antes do meio-dia. Falo daquele que bravamente conseguiu dar adeus a seu melhor amigo e que nunca mais fumou. Ele ainda sonha que está fumando, e em seus devaneios eventuais, imagina-se velhinho, minutos antes de morrer, pondo de novo um cigarro na boca. Ele é exigente com seus amigos e parentes que fumam. Se ele conseguiu, toma vergonha na cara e pára também. É o que ele pensa. Mas como todo ex, ex-namorado, ex-colega de trabalho, ex-presidente, devemos nobremente respeitá-lo e não vemos, no entanto, muita graça em sentar com ele à mesa. Ele passou pro lado de lá. Ele nos desperta uma ponta de inveja e culpa. Inveja porque não temos a mesma força, culpa por acender um cigarro bem na frente dele enquanto tomamos cerveja.

O ex-fumante ainda pode falar alguma coisa que nos acrescente em nossa luta cotidiana com o cigarro, mas o resto não. A forma como o fumante vem sendo tratado dá mais nojo que pôr um pouco de água num copo plástico pra usar de cinzeiro. É repugnante. É desleal. Nem me darei ao trabalho de apontar aqui tudo que fazem de não-saudável, não-ético e politicamente incorreto aqueles que não fumam, no intuito de me defender. Se eles dirigem rápido demais na estrada, se eles bebem em excesso ou usam outras drogas, se eles não são bons amigos ou filhos, tudo bem. Quando me emputecem , tenho um cigarro pra acender e me acalmar. Eles não têm. Eles vivem de pesquisas. Não sabem, porém, quantos casais de namorados ou amigos se formaram porque um pediu ao outro um cigarro, não consideram que quem fuma paga impostos altos para toda a população, não percebem que quase não há fumante suicida (o fumante vai sempre querer fumar um último cigarro, e por ai vai). Eles têm razão em ficar preocupados com nossa saúde, eles têm direito de pedir pra eu fumar com a outra mão porque a fumaça está indo na cara_embora eu ainda ache que a fumaça misteriosamente persegue mais quem se incomoda, como cachorro vai sempre brincar com aquele que não gosta de animais. Eles não podem, entretanto, fazer por nós nossas escolhas. Nós escolhemos o tempo todo, se vamos fumar um cigarro agora ou daqui a alguns minutinhos.

Eu por exemplo, escolhi que, findado o texto, dou um salvar no canto da tela, estalo os dedos, e releio, fumando um cigarro.

Daqui:

segunda-feira, 14 de junho de 2010


Agora há pouco terminou a festa do aniversário de 2 anos da minha filha.
Quase não fiquei com ela.
Ela ficou brincando pra lá e pra cá, não dormiu o dia todo. Ficava entre chão e colos mil de avós, pai, amigos, padrinhos.
Eu joguei conversa fora com meus amigos, comi, bebi, ri... e quando as últimas pessoas foram embora e ficou aquele silêncio solitário perturbador de fim de festa na casa da gente, eu peguei minha filha, que estava dormindo no carrinho, troquei a linda roupinha pelo pijaminha dela e coloquei na cama.
Não importa o que aconteça, quanto tempo passe ou com quem ela fique, eu sou a mãe. Eu que vou cuidar depois. Eu que vou perder noites de sono. Eu que vou pegar no colo e colocar na cama.
E a confiança com a qual ela desmaia no meu colo de um jeito que não faz em nenhum outro colo é uma coisa que não tem preço.
Ser mãe é a melhor coisa do mundo.
E a minha filha é a melhor coisa que poderia ter acontecido nessa minha vidinha.

domingo, 9 de maio de 2010

MÃE


"Antes de ser mãe, eu fazia e comia
os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas,
tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria,
Nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes

Antes de ser mãe,
eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos e
nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe, eu não me preocupava:
Se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas então,
eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe,
ninguém vomitou e nem fez xixi em mim,
Nem me beliscou sem nenhum cuidado,
com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe,
eu tinha controle sobre a minha mente,
Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,
e dormia a noite toda.

Antes de ser mãe, eu nunca tive que
segurar uma criança chorando,
para que médicos pudessem fazer testes
ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos
olhos que choravam.
Nunca fiquei gloriosamente feliz
com uma simples risadinha.
Nem fiquei sentada horas e horas
olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança,
só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar,
quando não pude estancar uma dor.
Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina,
pudesse mudar tanto a minha vida e
que pudesse amar alguém tanto assim.
E não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação,
de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Não conhecia a felicidade de
alimentar um bebê faminto.
Não conhecia esse laço que existe
entre a mãe e a sua criança.
E não imaginava que algo tão pequenino,
pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe, eu nunca me levantei
à noite toda, cada 10 minutos, para me
certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor,
a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter
sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus,
Por eu ser agora um alguém tão frágil
e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada meu Deus, por permitir-me ser Mãe!"

Silvia Schmidt

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Feriado


"...com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios das maiores povoações, até que o tempo também os consuma..."

O Zumbi dos Palmares foi preso e degolado.
Virou lenda. Virou herói. Virou mártir.

Aí decidiram que o Brasil precisava de um mártir branco.
Aí colocaram Tiradentes na roda.

Aí todo dia 21 de Abril ninguém faz nada.
E eu aqui precisando trabalhar.

Depois reclamam que não vai pra frente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Nosso dia!


Eu não sou feminista. Nem machista. Eu acho que homem é homem, mulher é mulher. E viva às diferenças!

O que eu defendo não é a igualdade entre os sexos, mas o respeito entre os sexos.

Acho que se a mulher quiser queimar o pano de prato e resolver trabalhar fora, ela tem todo o direito. Vai ser até menos estressante pro casal e ainda vai aumentar o rendimento da família.

E acho que se o homem quiser ficar cuidando da casa, da comida, das roupas e das crianças, ele também tem todo o direito. Eu até gostaria muito de ter um desses, haha!

Se você pensar nos primatas, fazia sentido que os homens saíssem pra buscar lenha e caçar, eles são mais fortes e melhores nisso. E fazia sentido que as mulheres ficassem na caverna, elas são as mães, são mais cuidadosas e melhores nisso.

Mas isso não quer dizer que nenhuma fêmea servia pra caçar e nenhum macho conhecia tudo sobre cada um dos filhos. Muito menos hoje, que tem fogão a gás, comida no mercado, babás e escolas.

Por isso, meu conselho para as mulheres hoje é que não tentem igualar-se aos homens. Não queiram ser melhores do que eles. Não aceitem ser piores do que eles. Sejam apenas diferentes. Sejam vocês. Sejam mulheres.

Eu gosto muito de ser uma fêmea. Chamem de sexo frágil, chamem do que quiserem. Eu não trocaria os encantos e os poderes de ser mulher. De sentir, de compreender e de poder gerar vida.

Por isso, minha amiga, se em pleno século 21 você e o seu marido trabalham a semana toda e quando chega o domingo você acorda cedo, vai ao mercado, arruma a casa, lava a roupa (a sua e a dele), cozinha e lava a louça sozinha, enquanto seu marido vai da cama pro sofá, pra mesa e pro sofá de novo, quando ele gritar pra você (ainda na cozinha) levar uma cerveja pra ele, o mínimo que você faz é gritar de volta: "já era, trouxa! Tomei a última!".

Amem-se.

P.S.: Tá, eu sei que tem cólica menstrual e depilação, mas hoje vou desconsiderar some coisas. :D

P.P.S.: Obrigada pela ajuda com a foto, Bibi! ;*

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mamãe e Bebê


Lembram do meu amigo grávido? Esses dias ele tava contando no blog dos melhores momentos da vida dele.

O interessante é que ele vive o melhor momento da vida dele, depois de pouco tempo acontece outra coisa marcante e aquele passa a ser o momento mais feliz. Logo depois, outra coisa que passa a ser a melhor coisa da vida dele.

O primeiro desses momentos foi quando soube que estava grávido. Depois, no segundo ultrassom, quando deu pra ouvir o coração. Depois, no quarto ultrassom quando a médica disse "é uma menina". Depois no dia que sentiu o bebê mexer na barriga da mãe.

Ele diz o seguinte:

"Descobri que ser pai é uma sucessão de melhores momentos da vida."

Devo ter achado a frase tão interessante porque ele conseguiu expressar em palavras aquilo que, pra mim, significa ser mãe.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Se eu sou má o tempo todo?

Foi mais ou menos a pergunta que um amigo me fez no MSN essa noite. Ele tinha dito que somos bonzinhos a maior parte do tempo e eu respondi que ele só podia estar se referindo a ele mesmo.

Depois ele me deixou falando sozinha e fiquei pensando nisso, daí uma resposta mais ou menos parecida com essa que segue.

Eu sou uma boa pessoa.
Eu não desejo mal às pessoas, não faço mal nem a uma formiga, não invento fofoquinhas, dou lugar pros velhinhos no ônibus, faço tudo o que eu posso pra ajudar os outros e um pouco do que eu não posso também. Não meço esforços.

Esse amigo meu, por exemplo, se soubesse só da metade das coisas que eu seria (sou) capaz de fazer por ele, viveria todos os dias dele feliz e tranquilo só por saber que eu estou aqui. E não espero nem peço nada em troca, eu faço porque isso faz parte da minha essência. É natural meu.

Deve ser por isso que uns 95% dos meus ex-namorados querem voltar comigo até hoje. Por causa das coisas que eu faço por eles - coisas simples, mas que ninguém mais faz. Eu faço a minha parte porque acredito que o mundo seria mais legal se as pessoas tivessem pelas outras a mesma consideração que eu tenho.

But... eu não sou boazinha.
Eu sou antisocial, sarcástica[1], irônica[2] e debochada[3]. Converso educadamente com pessoas idiotas enquanto penso lentamente o quanto aquela pessoa é idiota.

Fico irritada com pessoas lerdas e burras e, muitas vezes, quando uma fêmea com necessidade de aprovação que parece sair de um bloco de carnaval me pergunta se está bonita, eu dou um sorriso e balanço a cabeça afirmativamente enquanto penso que o teto do lugar onde estamos deveria cair sobre a cabeça dela e ela ficaria mais bonita que do jeito que está. Sim, eu minto bem. As pessoas acreditam.

Sou manipuladora e sorrio para as pessoas para levá-las a fazer aquilo que eu quero que elas façam. Tento ser agradável quando talvez nem precisaria e muitas vezes deixo de ser agradável quando deveria ser.
Sei que as pessoas são todas iguais mas no fundo acho que sou melhor do que muitas delas.

Não sou uma pessoa doce, e acho que pessoas boazinhas são doces. Aliás, as pessoas doces que eu já conheci posso contar nos dedos de uma mão só.

Então...

Se eu sou má o tempo todo?
Sou uma pessoa boa, mas não sou uma pessoa boazinha. O tempo todo.

Se eu valho a pena?
Tirem suas próprias conclusões.

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Legenda:

[1] Sarcasmo: Zombaria maliciosa.

[2] Ironia: 1. Modo de exprimir-se em que se diz o contrário do que se pensa ou sente. 2. Contraste fortuito[4] que parece um escárnio.

[3] Debochar: 1. Lançar no deboche, corromper. 2. Zombar de.

[4] Fortuito: Eventual.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Algo sobre escrever


"Sou fascinada pelo lado complicado. Tenho um olho alegre que vive: sou uma pessoa despachada, adoro família, adoro a natureza. Mas eu tenho um outro olho que observa o lado difícil, sombrio. A minha literatura nunca vai ser "aí casaram e foram felizes para sempre". Minha literatura sempre nasceu do conflito, da dificuldade, do isolamento."

"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."

(Lya Luft) - quero chegar como ela aos 70 anos.