sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bagunça


Minha cozinha parece uma cozinha.
O quarto da minha criança tem prateleiras na parede.
Ainda falta tanta coisa pra colocar no lugar!
Estreiei a máquina de lavar roupa. /loveit
Tô sem tv.
Tô estudando economia e direito pras provas de domingo.
Minha criança tá com virose.
Suco de uva misturado com suco de guaraná fica com gosto de suco de groselha.
Não páro de comer e tô com fome.
Não páro de dormir e tô com sono.
Tô nessa fase insaciável. Não tenho o bastante das coisas que eu quero. Nem das que eu preciso. Não tenho tempo o bastante.
O Al, que trabalha comigo, acabou de me mandar SMS:
"Feche os olhos... E reflita... E irá sentir que por mais que tudo dê errado e sua vida esteja de cabeça pra baixo, você ainda está viva! Viva para chorar, viva para sorrir, para encarar os problemas de frente, para sentir que vai se apaixonar novamente, para conhecer pessoas - tanto más quanto boas - e levantar a cabeça a cada batalha perdida, pois são delas que se tira as verdadeiras lições de vida. Boa noite, moça!"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sacarose


A Fatinha é a dona do quiosque onde eu tomo café aqui na rua. Tem quase um ano que vou lá várias vezes por semana, acabei virando amiga dela.

O André é o zelador da galeria onde fica o quiosque. Hoje ele estava arrumando os enfeites de Natal. Nossa, olha o Natal aí!

Eu, enquanto observava e dava uma mãozinha aos dois, sentei e tomei um porre. Uma latinha inteira de coca-cola.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Gordurinhas


"Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.

Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê.

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.

E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não
matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental:

Homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.

Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar,a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz."

(Desconheço o autor)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Finados


Quase tudo certo.
Quase todas as minhas coisas já estão na casa nova.
Meu guarda-roupa está montado.
Estou limpando e arrumando a casa.
Falta pregar as coisas de parede e colar meus block posters, organizar o armário e, aos poucos, os detalhes da casa toda - que está uma bagunça!
Tenho que estudar.
Tenho que trabalhar.
Tenho que lavar uns quatro baldes de roupa de criança, e passar uns dois.
O tempo não está bom pra lavar roupa.
Fiz um bolo gostosinho de cenoura com cobertura de chocolate.
Comi pizza ontem.
Tive uma conversa séria, importante e aparentemente produtiva ontem.
Dormi com o best boyfriend in the whole world ontem.
A única coisa que faltava pro dia ficar perfeito era ter disponibilidade pra aproveitar o dia todo embaixo da coberta vendo filme e comendo pipoca. Como não dá pra ter tudo, deixa eu voltar pra arrumação.

domingo, 24 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Dédipo


Jantando hoje, eu tomei suco de laranja com sal. Ele achou estranho. Lembrei de uma ocasião.

Eu: A gente tava almoçando num restaurante em Campinas e tinha pedaços de limão na mesa. Eu peguei um, coloquei sal e fiquei chupando. Aí ele falou: pára de me envergonhar na frente dos meus amigos?

Sogra: Não tem nada de errado em chupar limão com sal.

Eu: Você já viu alguém fazendo isso?

Sogra: Já, eu mesma fazia isso.

Eu: Viu? Não tem nada de anormal. Você não sabe de nada.

Ele: Agora eu sei. Eu sei várias coisas. Sei, por exemplo, que tenho uma mãe louca. Sei que tenho uma namorada louca. E acabo de descobrir que Freud tinha razão. Viu? Eu sei vááárias coisas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sinal de fuuuumaça


Pra não acharem que morri.
Mudei de casa pela terceira vez em cinco meses.
Minha casa ainda está uma zona porque não tenho armários bastantes. Não montados, pelo menos. Mas meu bacon fez aniversário e mesmo no meio da bagunça eu consegui assar um bolo!

Fiz um painel grandão com uma foto da minha criança bebê no Block Posters. Acho que vou precisar de mais paredes.
Minha criança está dormindo comigo porque a cama dela ainda não chegou.

Acordei ontem (domingão) às 7h30 para ir a um passeio ciclístico que foi adiado por causa da chuva.

Ainda não escolhi um dos meus candidatos a senador e falta menos de uma semana para as eleições.

Acho bacana a opção de mandar recados privados no orkut. Quando você fala alguma coisa secreta por depoimento, corre o risco de a outra pessoa, por distração ou pura sacanagem, aceitar.

Tô cansada. E amanhã cedo vou treinar. Vou pra cama :*

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fuuuu de boina


Que susto! Criança doente. Criança longe. Outra mudança de casa. Preocupação com a criança. Trabalho pra fazer. Saudade da criança. Confusão. Sozinha em casa. Dor nos pontos internos. Ônibus errado.

Não faz sentido que esse post não seja linear?

sábado, 4 de setembro de 2010

Twenty five


nem tão jovem, nem tão velha.
metade filha, metade mãe.
nem tanta determinação, nem tanto desânimo.
nem vinte nem trinta.
um pouco de cansaço, um pouco de insônia.
café e cigarro.
aprendendo aqui e ensinando ali.
perdi um pouco e encontrei um pouco.
alguma coisa de teoria, alguma coisa de prática.
tentar umas coisas, deixar outras pra trás.
incerteza e entendimento.
intuição e razão.
mais amor do que paixão.
mais experiência e menos paciência.
mais paciência e menos vontade.
mais vontade e menos disposição.
mais disposição e menos energia.
meio termo.
tô feliz.
:)

domingo, 29 de agosto de 2010

Uma história sobre 4 pessoas

TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM


Havia um importante trabalho a ser feito, e TODO MUNDO tinha certeza que ALGUÉM o faria.
QUALQUER UM poderia tê-lo feito mas NINGUÉM o fez.
ALGUÉM zangou-se, porque era trabalho de TODO MUNDO.
TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo.
Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM, quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Onde está Wally?



Aos Sonetistas deste Sítio (livro-virtual)


Lê-se em Lívio, Sérgio e André.
Anna Paula, Joaquim, Velasques, Camelo,
Cleber, Santana, Ludmilla, assim como José
Sakate, Satoru, Francisco Ogeda e Carneiro


Poetizam com brilho; e no mesmo caminho,
Sem me esquecer de Bezerra, Vitor, Rísia e Cristina,
Estão Clélio, Marlene, Tamires, Ricardo e Martinho
Que enriquecem este Sítio com poesia fina.


Lê-se também em Joel Alves, Rangel,
Em Pezzato, Erigutemberg, Vandon, Azoriana,
Michel, Lino Vitti no Virgílio do Manoel


Maravilhosas pérolas; e só me basta Silvana.
Excelentes obras de cada autor, cada bacharel.
Quantos nobres sonetistas este Sítio proclama!


Ivan Magalhães

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Coisas que as pessoas me falam ao vivo


--------- no sábado à noite ---------

Ludmilla: Então quer dizer que o Pikachu vai ligar pra gente sair com ele amanhã à tarde?

André: Aham.

Ludmilla: Logo, quer dizer que a gente não vai poder dormir depois do almoço.

André: Não.

Ludmilla: Então a gente toma vinho e tagarela a noite toda, dorme umas umas cinco horas da manhã, acorda a tempo de ajudar a fazer o almoço, almoça (costela! almoço levíssimo!) e não dorme depois?

André: É...

Ludmilla: Tomara que o Pikachu não ligue pra gente.

--------- no domingo de manhã ---------

André: Vamos levantar?

Ludmilla: Ah, não.

(...)

André: Tive uma idéia!

Ludmilla: O quê?

André: Vamos levantar!

Ludmilla: Não.

(...)

André: Eu vou levantar e vou deixar você aí.

Ludmilla: Ah, não, por favor, só mais meia horinha.

André: Véi, você é muito preguiçosa! Já tô conseguindo visualizar meu domingo inteiro: vou passar o dia deitado e não vou fazer nada produtivo. Que horror! Eu quero levantar, agora!

Ludmilla: Você não vai passar o dia todo deitado. Depois do almoço o Pikachu vai ligar e a gente vai ter que sair pra encontrar com ele.

André: Putz! Ele vai ligar! A gente não vai poder dormir depois do almoço! AH, NÃÃÃO!!! EU QUERO DEITAAAR!!!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisas que as pessoas me falam pela internet - parte II


Ludmilla:
mas o q me intriga é a parte "vc compra mais uma garrafa de vinho"
vc vai beber vinho???

André:
vei
vc tah batendo pino??
eh pq uma soh eh pouco, não??
em vez de dividirmos uma
dividimos duas
dah conta redonda
rs

Ludmilla:
claro, se for pra dividir, tem q ser duas pelo menos. mas geralmente vc fica repetindo o quanto vinho é ruim e o quanto vc deveria ter trazido cerveja
"da próxima vez eu vou beber conhaque"
ou qq coisa parecida

André:
cara
compra a merda do vinho e para de reclamar

--------- --------- ---------

André:
nao eh que eu nao gosto de vinho
eu prefiro outras bebidas
mas se eh pra te acompanhar
pouco me importa se eh vinho
ou água de privada

Ludmilla:
tô de boa de beber água de privada

André:
nha
vc diz isso pq nunca provou
IAUHiuahiUAHIuahiUAHIuahiuHIuh

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Coisas que as pessoas me falam pela internet


Bruna:
hmmm
romantic
ops
sorry
duplamentic
haha (você vai ganhar um presente em outubro)

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Tiago:
mas não demore muito se arrumando pq milagre vc não faz...
:)

Ludmilla:
que horrível vc
eu nem preciso de milagre
sou bonita por natureza
haha

Tiago Gomes:
depende de quanto se está naturalmente dopado. (eu também te amo)

--------- --------- ---------

André:
ou seja, resumindo
vc jah sabe que vai fazer merda
e jah sabe ateh qual merda vai fazer
jah sabe o que eu vou dizer
e jah sabe que eu vou te dar colo incondicionalmente
pq esse tesão pelas coisas erradas?? (não fiz :P)

--------- --------- ---------

Ludmilla:
então, viu as fotos do quartinho da clara?

Sabrina:
vi simm!!
lindíssimooo!
=)
super fofo e espaçoso
sua cara (minha cara? isso quer dizer que eu sou fofa e espaçosa?)

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Eliane:
Agora, manhosa vc também é, isso é genético! Teimosa nem tanto, mas geniosa... Jesus amado!!! rsrsrsrsrs (Então, se minha filha se comporta como um gremlin, talvez esteja só puxando a mãe)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ele quem?


"O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu.
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.
Ele? Quem mesmo?"

(Tati Bernardi)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

VIVO, eu me rendo!


Meus pais se separaram depois de 30 anos, meu amigo Ricochete está noivo e eu comprei um chip da VIVO. Cadê o mundo como eu conhecia?

Na segunda-feira estávamos de mudança: mamãe, minha criança e eu. O lugar pra onde nos mudamos é mais afastado, a melhor opção de internet é 3G. Não posso ficar uma semana sem internet em casa, por causa do trabalho. Liguei logo pra OI e pedi um chip, igual ao que tinha antes - ficou com o meu pai.

Falei com um simpático Robson. Fiquei contentinha em saber que o mini modem custava 140 reais, menos que o preço do primeiro que comprei. Eu não pagaria os três primeiros meses e ganharia um descontinho por mais 9 meses. Mesmo assim, poderia cancelar a assinatura a qualquer momento.

Robson disse que encaminharia meu pedido e entraria em contato comigo em até 3 dias. "Pode ser?".
Eu disse: Bom, eu precisava disso o mais rápido possível, mas se você tá dizendo que tem que esperar 3 dias, tudo bem.
E ele: Olha, então eu vou pessoalmente cuidar disso pra senhora, e farei o possível pra entrar em contato mais cedo do que isso.

Só que aqui na vila eu já soube de duas pessoas que usam o 3G da VIVO. Uma delas é um entendido do mundinho dos computadores. Sem contar que quando falo no celular dentro de casa, fica tudo picotado - e meu celular é da OI. "Não sei se tem a ver, mas o chip é o mesmo, talvez o sinal também seja", pensei. Fiquei com a pulguinha atrás da orelha, mas esperei pacientemente pela ligação do Robson, afinal, o mini modem era barato e os três primeiros meses saem de graça, né?

Daí, ontem de manhã (quinta-feira), eu estava no treino com o Ademar, que também é um entendido do mundinho dos computadores. Comentei que precisava desse tipo de conexão e ele disse, sem titubear, "escolha o da VIVO".

Fui até uma loja da VIVO e descobri que não tem que esperar nada. Você sai de lá com o modem e o chip prontos para serem usados. Tinha um plano pelo mesmo valor da OI com uma franquia menor de dados, mas que eu acredito ser suficiente. O único desconto que eles dão é de 50% na primeira mensalidade, mas você não paga pelo modem. Tem que ficar pelo menos um ano com o plano, mas... MODEM GRÁTIS.

Pensei por dois segundos e fiz a assinatura. Saí de lá com internet na mão, a primeira fatura só chega daqui a um mês, e ainda ganhei um copo! (Eu gostei do copo).
Chegando em casa, qual não foi minha surpresa ao constatar que a conexão da VIVO aqui nesse fim de mundo é melhor que a da OI no lugar-menos-fim-de-mundo que eu morava antes! Yeah yeah!

Quanto aos meus pais, a separação foi a segunda melhor coisa que eles fizeram desde o casamento (a primeira fui eu).
Quanto ao Ricochete, parabéns, meu querido. Ia acabar acontecendo com você também. Não dá pra ser o Peter Pan da FEG pra sempre. Fiquei feliz! Espantada, e feliz.
Quanto ao Robson... tô esperando ele ligar até hoje. Aff.

domingo, 4 de julho de 2010

Cigarro


Sei que não é fácil entender o fumante. Mas vamos por partes. Em primeiro lugar, parece-me desnecessário e até opressivo tratar do fumante de forma tão ingênua. É claro que sabemos que fumar faz mal, é óbvio que tememos ter câncer, é nítido que nos sensibilizamos com as figuras dramáticas de verso de maço, os dentes feiosos, a perna gangrenada, a criancinha (não parece que ela está cheirando cola?), e o pulmão que, honestamente, a mim me lembra uma bela maquete de feira de ciências. Não se trata, no entanto, de nada disso.

O fumante, é preciso entender, tem seu jeito próprio. Ele nunca está sozinho. E nunca não está fazendo nada. Pode não estar trabalhando, não estar estudando ou tendo uma longa conversa. Está, entretanto, e muitas vezes, simplesmente fumando. O fumante é mais feliz na espera por alguém; o fumante que espera alguém espera menos. O fumante que espera o ônibus então, tem em seu repertório um poder só dele. O de decidir, finalmente, acender um cigarro, e ver, mais finalmente ainda, o ônibus chegar naquele exato momento. E esta incrível relação, de uma disputa muda e singela, entre o fumante e o ônibus, vai além. Não pode ser mera coincidência que o preço do cigarro e o do ônibus sejam assim tão parecidos. Quem nunca juntou moedas, somou dois reais e pouco e teve de então decidir: pego um ônibus ou compro cigarro? O verdadeiro fumante vai a pé. Ofegante, é provável, mas nunca sozinho.

Ah…ser fumante. Só o fumante conhece o tempo de um cigarro. E não seria útil agora falar da infinitude e relatividade do tempo, porque se cairia inevitavelmente numa filosofia sem término. Desde sempre o homem tenta marcar o tempo. E nenhum cronômetro, porém, nenhum relógio ou ampulheta, é tão preciso quanto o tempo de um cigarro. Só o fumante sabe, numa cumplicidade excitante, o que o outro fumante quer dizer quando decreta: “Já vou, vou só fumar um cigarro”, ou “Vou fumar um cigarro e já volto”. O tempo de um cigarro é preciso e exato como poucas coisas são. Eu, particularmente, quando apago um cigarro na metade, quase lhe peço desculpas. Dobro-o no cinzeiro, todo desengonçado, e o observo em sua situação constrangedora e diminuta_ trata-se de um cigarro-borboleta, de vida efêmera_ e sinto. Só o faço quando alguém que esperava me buscar na porta do prédio chega, quando aparece enfim a comida no restaurante, ou quando um não-fumante (Sim, às vezes falamos com eles), quer nos dar um beijo na boca. Fora isso, nada justifica assassinar precocemente um cigarro.

Da mesma forma, penso que nenhum verdadeiro fumante pede trago. O verdadeiro fumante sabe que se trata, o cigarro, de uma porção única. Solicitar um trago, ou, o que é ainda pior, dar-se ao direito de pegar um trago de um cigarro aparentemente esquecido em um cinzeiro, é coisa de amador. Para mim não pode haver algo mais invasivo. Pegue um cigarro inteiro, pegue meu dinheiro, leve embora minha bolsa, mas, por favor, não mexa com o meu cigarro! É tão desconfortante e inadequado quanto pedir mordida de sonho de valsa ou gole de Yakult. Simplesmente coisa que não se faz. É comum, no entanto, que se surpreendam pretendentes a ex-fumantes fazendo isso. Nada mais patético do que aquele que acha que parou de fumar. Quando me pede o primeiro cigarro, semisorrio com ar condescendente, até empresto o isqueiro. O segundo ainda não nego. No terceiro, insinuo sem compaixão: Sabia que aqui eles vendem cigarro?

O não-fumante, por outro lado, pode não ser má pessoa e eu confesso, admiro-o. Num mundo ideal, em que eu pudesse fazer racionalmente todas as mais mirabolantes escolhas, além de rica e mais magra, seria não-fumante. No rodízio de churrascaria, faria um belo prato de folhas verdes, tomaria suco de abacaxi, e ao final da refeição, pagaria a conta sorrindo e me levantaria sem pressa, sem procurar ansiosa na bolsa, ao mesmo tempo em que levanto, o maço amassadinho que esperou pacientemente eu comer_ este outro hábito ao qual, com cortesia, o cigarro cede espaço. Não haveria cafezinho. Depois, feita a digestão, iria correr no parque, nadar umas cem chegadas, e à noite, provavelmente, dormiria cedo e sem tossir.

Infelizmente a rotina do fumante é quase obrigatoriamente uma outra coisa. O não-fumante, este ser esquisitinho que não acende um cigarro na final da Copa e que faz suas digestões autônoma e tranquilamente, é mesmo um vitorioso. Ele não chega na padaria e o homem do caixa já não pega um maço do seu cigarro preferido e não o põe em cima do balcão. É possível, aliás, que passe despercebido pelos funcionários da padaria. Ninguém registra quem compra pão. Ele, então, não desenrola com a pontinha dos dedos a fitinha que envolve seu maço, não puxa o aluminiozinho, não saca um cigarro, não o põe na boca, e não dá aquele primeiro trago. Também não deve dar um mergulho na piscina quando está calor, nem fazer xixi quando está apertado. O não-fumante não vive de alívios. Vive de constância. Terminada uma fogosa noite de amor, ele simplesmente vira pro lado e dorme. Talvez tome um copo d´água. Ele não alcança a cabeceira, não acende um cigarro, e não conversa amenidades com seu parceiro, os braços atrás da cabeça, a fumaça se espalhando lentamente pelo quarto. O fumante que tem noites de amor com não-fumantes pode passar por alguém pouco sensível. Ele deve, se for assim o combinado, levantar-se pra fumar lá fora. É uma pena. É um momento hostil pra se fumar um cigarro, como fumar na estrada com o carro a mais de cem por hora, e o vento fazendo as cinzas se voltarem contra você e fumando junto. Como fumar na praia, com toda aquela gente olhando se você vai mesmo recolher as bitucas e jogar no lixo no final da tarde. É hostil, mas inevitável.

Por fim, temos o ex-fumante, aquele ser superior que esteve entre nós e do qual nos despedimos com muita dor. É necessário ressaltar que não considero ex-fumante quem fumava menos de dez cigarros por dia, sobretudo se for de filtro branco. Essa gente atrapalha as estatísticas que calculam quem conseguiu parar de fumar. Essa gente nem fumava antes do meio-dia. Falo daquele que bravamente conseguiu dar adeus a seu melhor amigo e que nunca mais fumou. Ele ainda sonha que está fumando, e em seus devaneios eventuais, imagina-se velhinho, minutos antes de morrer, pondo de novo um cigarro na boca. Ele é exigente com seus amigos e parentes que fumam. Se ele conseguiu, toma vergonha na cara e pára também. É o que ele pensa. Mas como todo ex, ex-namorado, ex-colega de trabalho, ex-presidente, devemos nobremente respeitá-lo e não vemos, no entanto, muita graça em sentar com ele à mesa. Ele passou pro lado de lá. Ele nos desperta uma ponta de inveja e culpa. Inveja porque não temos a mesma força, culpa por acender um cigarro bem na frente dele enquanto tomamos cerveja.

O ex-fumante ainda pode falar alguma coisa que nos acrescente em nossa luta cotidiana com o cigarro, mas o resto não. A forma como o fumante vem sendo tratado dá mais nojo que pôr um pouco de água num copo plástico pra usar de cinzeiro. É repugnante. É desleal. Nem me darei ao trabalho de apontar aqui tudo que fazem de não-saudável, não-ético e politicamente incorreto aqueles que não fumam, no intuito de me defender. Se eles dirigem rápido demais na estrada, se eles bebem em excesso ou usam outras drogas, se eles não são bons amigos ou filhos, tudo bem. Quando me emputecem , tenho um cigarro pra acender e me acalmar. Eles não têm. Eles vivem de pesquisas. Não sabem, porém, quantos casais de namorados ou amigos se formaram porque um pediu ao outro um cigarro, não consideram que quem fuma paga impostos altos para toda a população, não percebem que quase não há fumante suicida (o fumante vai sempre querer fumar um último cigarro, e por ai vai). Eles têm razão em ficar preocupados com nossa saúde, eles têm direito de pedir pra eu fumar com a outra mão porque a fumaça está indo na cara_embora eu ainda ache que a fumaça misteriosamente persegue mais quem se incomoda, como cachorro vai sempre brincar com aquele que não gosta de animais. Eles não podem, entretanto, fazer por nós nossas escolhas. Nós escolhemos o tempo todo, se vamos fumar um cigarro agora ou daqui a alguns minutinhos.

Eu por exemplo, escolhi que, findado o texto, dou um salvar no canto da tela, estalo os dedos, e releio, fumando um cigarro.

Daqui:

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Again


Talvez vocês estejam lembrados de um post no qual eu falava sobre a minha 21ª mudança. Pois em menos de uma semana farei a 22ª.

Ontem, indo pra loja, um galante amador começou a tentar me convencer a casar com ele. Enquanto ele falava o quanto se sentia sozinho e o quão próxima eu era da nora que a mãe dele pediu a Deus, eu pensava novamente nas minhas plaquinhas. Dessa vez queria ter uma dizendo "Please don't interrupt me when I'm ignoring you". Seria formidável. Não deu.

De repente ele falou algo que me chamou a atenção: "Aposto que você mora em Penedo. Você tem cara de quem mora em Penedo."
Eu olhei séria pra ele, pensativa, curiosa... quase interessada. Ele sorriu por ter conseguido alguma reação minha, ainda olhando pra ele coloquei os fones de ouvido, ele tirou o sorriso (bonito, até) dos lábios, eu olhei pra fora pela janela e fiquei pensando...

"Será que eu tenho cara de quem mora em Penedo? Será que esse lugar me puxa porque é como se eu pertencesse a ele? Será que minha casa nova não é tão provisória quanto pensei? Será que ficarei presa aqui pela eternidade?"

"Tá bom, Ludmilla, pára, pára. Sem paranóia. Se você ficar mais estressada, sua mãe vai te internar. Calma. Veja bem, não é tão ruim assim. Tudo bem que é fora de mão e não tem nem padaria perto, você vai voltar a passar umas horas do seu dia dentro do ônibus, vai ter que acordar mais cedo, mas tem ar puro, silêncio, pássaros, árvores, nada de poluição! Você vai dormir bem. Ouviu? Dormir bem! Agora presta atenção na música e pára de pensar bobagem. É Hotel California, você gosta, relaxa aí."

É... I'm so much screwed up, mas paz não é uma coisa que não tem preço?